sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Rosa Ramalho (1888-1977) é o nome artístico de Rosa Barbosa Lopes, minha tia-avó paterna, ceramista e figura emblemática da olaria tradicional portuguesa.

Rosa Ramalho nasceu a 14 de Agosto de 1888, na freguesia de São Martinho de Galegos (concelho de Barcelos). Filha de um sapateiro e de uma tecedeira, casou-se aos 18 anos com um moleiro e teve sete filhos. Aprendeu a trabalhar o barro desde muito nova, mas interrompeu a actividade durante cerca de 50 anos para cuidar da família. Só após a morte do marido, e já com 68 anos de idade, retomou o trabalho com o barro e começou a criar as figuras que a tornaram famosa. As suas peças simultaneamente dramáticas e fantasistas, denotadoras de uma imaginação prodigiosa, distinguiam-na de outros barristas e oleiros e proporcionaram-lhe uma fama que ultrapassou fronteiras.
Foi a António Quadros (pintor) que se deveu a descoberta de Rosa Ramalho pela crítica artística e a sua divulgação nos meios "cultos".
Em 1968 recebeu a medalha "As Artes ao Serviço da Nação". Nesse ano foi apresentada na Feira de Artesanato de Cascais e os seus trabalhos passaram a ser procurados por milhares de portugueses e estrangeiros.
Foi enterrada em 25 de Setembro de 1977 no pequeno cemitério de S. Martinho. A população de Barcelos dirigiu, logo na altura, uma proposta ao governo no sentido de transformar o barracão e o telheiro num museu de cerâmica com o nome da barrista.
Foi a primeira barrista a ser conhecida individualmente pelo próprio nome e teve o reconhecimento, entre outros, da Presidência da República, que em 9 de Abril de 1981, a título póstumo, lhe atribuiu o grau de Dama da Ordem de Sant'Iago da Espada.
Sobre a artista há um livro de Mário Cláudio (Rosa, de 1988, integrado na Trilogia da mão) e uma curta-metragem documental de Nuno Paulo Bouça (À volta de Rosa Ramalho, de 1996). Actualmente dá nome a uma rua da cidade de Barcelos e a uma escola EB 2,3 da freguesia de Barcelinhos. A sua antiga oficina, em São Martinho de Galegos, poderá vir a tornar-se num museu de olaria com o seu nome.
O seu trabalho é continuado actualmente pela neta Júlia Ramalho que a acompanhava no trabalho do telheiro.

Ana Margarida do Canto Oliveira (1860-1940), era minha trisavó materna e esposa de Francisco Firmino de Pontes Oliveira, ela tinha uma genealogia muito interessante ligada às principais casas reais europeias, e cheia de histórias que mais parecem obras de grandes escritores. Sua bisavó paterna, Catarina Angélica da Purificação Taques, foi ama de leite de Domitília de Castro do Canto e Melo, a marquesa de Santos. Dona Escolástica Bonifácia de Oliveira Toledo Ribas, mãe da marquesa, esteve doente e por isso não pôde amamentar a filha. Assim sendo, dona Catarina Angélica, prima da enferma e bisavó de Ana Margarida ficou com essa responsabilidade.
Cabe ressaltar que o grande Pedro Taques, o genealogista dos bandeirantes era pai de Dona Catarina e trisavô de Ana Margarida do Canto Oliveira.